sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Resenha #56 - Aqualtune e as Histórias da África

Postado por Diarios De Leitura - sexta-feira, agosto 29, 2014 - com 12 comentários
Ficha Técnica

Título: Aqualtune e as Histórias da África
Autor: Ana Cristina Mass
Editora: Gaivota
Ano: 2013
ISBN: 978-85-64816-23-7
Páginas:164

Resenha

Aqualtune é uma menina que não aceita seu nome, ela prefere ser chamada de Alice, mesmo seus pais lhe dizendo que é um nome "forte, diferente...". Alice é convidada para passar suas férias com Maria, sua amiga de escola, em uma antiga fazenda que servia de engenho de cana de açúcar que foi comprada há muito tempo. Junto com as duas meninas vai também Guilherme, porém este chegará um dia depois delas.

Ao chegarem na fazenda, elas ficam maravilhadas e logo começam a explorar todo o lugar em que se encontram, tanto a casa quanto os arredores, nesse ponto temos uma descrição completa da autora sobre o ambiente em que grande parte da história se passará, pontos de reconhecimento e locais fáceis de decorar para situar o leitor nos futuros acontecimentos.

Neste momento da história somos apresentados de uma maneira inusitada para mais um personagem que fará parte deste conto, uma grande ventania surge e as meninas que brincavam no engenho se deparam com a figura de um menino mascarado e, tão rápido quanto surge, ele some no meio da selva. 

As meninas se assustam e voltam para a casa grande, dizem que não vão contar a ninguém o acontecido, mas no dia seguinte elas conhecem Vó Cambinda, que será o centro de toda a aventura do livro, ela irá revelar que Aqualtune não é apenas um nome diferente, mas sim um elemento de uma grande lenda africana e Alice pode mudar o destino daquele engenho e das pessoas que moram próximo à ele.

A narrativa do livro é simples e convidativa, aparenta uma mãe contando um conto para um filho, as falas dos personagens possuem pocas gírias e suas personalidades têm traços bem definidos. Em contraponto, a narrativa parece se perder em certos momentos, algumas falas dão um ar de robótica em poucos casos, mas retira o leitor da imersão do livro. A questão folclórica é bem apresentada, no final do conto podemos ler quais foram as referências históricas que a autora utilizou, valorizando a obra.

O enredo é simples e decorre de boa maneira, alguns detalhes podem causar um desconforto ao leitor, como o fato de os pais de Maria serem os mais ausentes possíveis e quando estão presentes não fazem quase nenhuma ação relevante. O conto se passa no presente, porém em vários momentos da narrativa sentimos que os personagens foram transportados para outra época. A vila que se situa perto da fazenda é pouco descrita, mas quase metade dos principais acontecimentos do livro se passam nela, e as pequenas coisas descritas fazem ela parecer um elemento fora de seu tempo.

Cambinda é um personagem essencial na trama, mas sempre que temos passagens com ela, parece que todo o ambiente narrado se perde e os personagens principais são colocados em segundo plano, ela literalmente rouba a cena.

O livro segue bem sua narrativa com os mitos, as curiosidades apresentadas instigam a leitura, o problema é o final, é muito insatisfatório. O final faz com que toda a leitura do livro se pareça vazia, que não tenha valido a pena. Confesso que é um final no qual não estamos acostumados em leituras para livros juvenis, porém ele parece incompleto, como se a autora estivesse cansada de escrever mais sobre o lugar interessante que criou e simplesmente abandasse a narrativa. Alguns pontos interessantes descobertos no decorrer da leitura são deixados em aberto, decepcionando o leitor e fazendo-o esperar por talvez uma continuação do conto.

Vale mencionar que a arte do livro é muito boa, ela é simples e totalmente dentro do contexto da narrativa, as "capas" que definem cada capítulo são artes que lembram tecidos africanos e suas estampas estão relacionadas aos acontecimentos do capitulo que será contado. O acabamento é simples, mas que boa qualidade, o livro é aconchegante para aqueles que o seguram em suas mãos.

O livro possui altos e baixos, mas é uma leitura válida, em certos pontos ele irá lhe surpreender e instigá-lo a seguir em frente, em outros lhe causará uma "careta" com o que está escrito em suas páginas mas mesmo assim vai ser difícil abandona-lo até chegar ao final, que provavelmente não vai satisfazer o leitor.




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12 comentários:

  1. Gosto de mitos e folclore, são histórias sempre diferentes e este livro parece interessante em vários aspectos; parece leve, com perspectivas jovens e itens históricos. Legal saber que há arte no miolo. Beijos.

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  2. Ricardo,
    Acho que acabei ficando meio que com o pé atrás com o livro. Apesar de ter tudo para ser um livro extremamente interessante por falar de folclore e mitos africanos, alguns comentários seus, como se perder na narrativa ou diálogos robóticos me desanimaram.
    Acho que não é o momento para essa leitura.
    Beijos
    Chrys Audi
    Blog Todas as coisas do meu mundo

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  3. Oi Ricardo,

    Gosto de livros voltados aos jovens, gosto de folclore e fantasia, mas não me motivei a ler o livro, pois é realmente chato quando temos a impressão que a autora estava cansada e não trabalhou adequadamente a amarração da trama. Outro fator, é que você mencionou que em alguns momentos e capítulos as coisas ficam um tanto confusas e um final que você garante que não irá satisfazer o leitor, então não é uma obra que lerei.

    Beijos
    Tânia Bueno
    www.facesdaleiturataniabueno.blogspot.com .br

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  4. Vi o livro em seu lançamento, porém ele não me atraiu. Sua resenha só confirmou que a minha escolha por não solicitá-lo foi certíssima. Uma coisa que sempre é ressaltada é a arte gráfica da editora. Capricho é pouco para eles.

    Beeijinho. Dreeh
    Blog Mais que Livros

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  5. Eu ainda não conhecia esse livro, mas ele não me chamou a atenção, embora goste de livros assim, esse não é um que eu leria no momento, quem sabe mais para a frente.

    Beijos :*

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  6. Olá!
    Parabéns pela resenha, Ricardo. O livro me pareceu interessante, o tipo de livro que explora as lendas africanas não me pareceu ruim. Assim que possível lerei esse livro.

    Att,
    decaranasletras.blogspot.com

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  7. Oi, Ricardo. Eu já comecei a ficar com um pé atrás quando vc falou que há muita descrição no começo do livro, não gosto muito disso, prefiro eu mesma imaginar os cenários e personagens. Depois quando vc contou sobre os pontos fracos, como o lance dos pais, fiquei mais desestimulada ainda. Com tantos livros na lista, não quero usar meu tempo em um livro com elementos que não me agradam.
    Beijinhos!
    Giulia - www.prazermechamolivro.com

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  8. Oi Ricardo, tudo bom?
    Parabéns pela sua resenha, o livro parece ser bem interessante. Porém, fiquei com o pé atrás quando disse que o livro tinha muitas descrições, isso me deixa desconfortável e acabo abandonando o livro se ficar muito cansativo.

    Beijos, Rob
    http://estantedarob.blogspot.com.br/

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  9. Ola Ricardo uma pena que o livro não tenha muitas descrições são através delas que viajamos no livro. Gostei da sinopse do livro, porém esses pontos fracos desanimaram um pouco . abraços

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  10. Gostei da questão histórica ser bem apresentada, mas achei tão decepcionante essa coisa de algumas falas terem ficado robóticas... não gosto nem um pouco quando me arrancam da minha imersão na leitura com algo assim. E esse final me fez decidir não ler. Ninguém merece ficar com essa sensação de que a leitura não valeu a pena.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  11. Olá Ricardo!
    Eu sinceramente não gostei desse livro. A história não me agradou. Ainda mais por você ter comentado que a história se perde. Só achei legal uma parte que seria conhecer um pouco da cultura africana.
    Beijinhos!
    http://eraumavezolivro.blogspot.com.br/

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  12. A Biruta/Gaivota é uma editora pela qual tenho um carinho imenso! E babo demais pelos livros que eles publicam; as edições são umas mais lindas e caprichadas que as outras e os projetos gráficos sempre dão um show. Fiquei curiosa para ver um pouquinho do interior deste livro! Acho interessante demais o tema dele, essa questão folclórica, étnica, adoro! Entendo os altos e baixos que você mencionou; eu, honestamente, não saberia muito bem o que esperar (até porque não costumo ler tantos livros com essa temática), mas achei a princípio interessante.

    Beijos, Livro Lab

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